Questão de FilosofiaO Sujeito Moderno, Aspectos da Filosofia Contemporânea
- Banca:
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão:
- SEDUC-PI
- Ano:
- 2026
- Cargo:
- Professor da Educação Básica - Disciplina: Filosofia
- Nível:
- Superior
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- CFP-148463-030
A crença na inspiração. Os artistas têm interesse em que se creia nas intuições repentinas, nas chamadas inspirações; como se a ideia da obra de arte, do poema, o pensamento fundamental de uma filosofia, caísse do céu como um raio de graça. Na verdade, a imaginação do bom artista ou pensador está produzindo sem parar, sejam coisas boas, medíocres ou ruins, mas o seu julgamento — altamente aguçado e exercitado — rejeita, seleciona, combina; como vemos nas anotações de Beethoven, que, aos poucos, juntou as melodias mais esplêndidas e de certo modo as retirou de múltiplos esboços. Quem separa menos rigorosamente e confia de bom grado na memória imitativa pode se tornar, em certas condições, um grande improvisador; mas a improvisação artística está muito abaixo do pensamento artístico selecionado com seriedade e dedicação. Todos os grandes foram grandes trabalhadores, incansáveis não apenas no inventar, mas também no rejeitar, escolher, remodelar e ordenar.
Friedrich Nietzsche. Humano, demasiado humano (aforismo 155). Tradução de Paulo César de Souza.
São Paulo: Companhia das Letras, 2020 [1878], p. 111 (com adaptações).
Ao mencionar as anotações de Beethoven no aforismo apresentado no texto 5A2-I, Nietzsche pretende ilustrar a ideia de que

