Questão de Língua PortuguesaCoesão e Coerência
- Banca:
- FUNDATEC
- Órgão:
- Prefeitura de Jaguari
- Ano:
- 2026
- Cargo:
- Professor - Área: Língua Portuguesa
- Nível:
- Superior
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- GRAN-4272715
Em defesa do dicionário
Por William Campos da Cruz
01 Quando foi a última vez que você abriu um dicionário e leu um verbete inteiro? O que você
02 costuma fazer quando se depara com palavras desconhecidas num texto que está lendo? Você
03 já desistiu de alguma leitura apenas por causa das dificuldades lexicais? Que importância você
04 dá à riqueza vocabular dos livros que lê?
05 Consulto dicionários desde muito cedo. Lembro-me da primeira vez em que percebi de
06 maneira consciente seu poder emancipador. Na sexta série (atual sétimo ano) do Ensino
07 Fundamental, terminei uma prova cedo demais e a professora me deu um texto para ler enquanto
08 aguardava o sinal do intervalo. Como topei com uma palavra que ignorava, chamei a professora
09 para perguntar-lhe o significado. Evidentemente, ela estava ocupada supervisionando os alunos
10 que faziam prova e, por isso, foi até a sua bolsa, sacou um dicionário e deixou-o em minha
11 carteira.
12 Aqueles minutos marcaram minha vida para sempre. Talvez sem nem se dar conta, a
13 professora apresentou-me uma poderosa ferramenta de emancipação intelectual. Com o
14 dicionário em punho, eu não precisava temer textos compostos por palavras desconhecidas. Eu
15 tinha ali, à minha disposição, uma ferramenta capaz de tornar o desconhecido conhecido, o
16 ininteligível inteligível, e o impossível difícil – difícil, mas possível.
17 Os anos se passaram e me tornei revisor de textos e, mais tarde, tradutor. Os dicionários
18 fazem parte de minha rotina diária. Consulto-os todos os dias, dezenas de vezes. Para conferir
19 a ortografia, para consultar uma regência, para descobrir se uma palavra já conhecida não está
20 sendo empregada numa acepção incomum, para ver exemplos de uso literário dessas palavras.
21 Além de tudo isso, os dicionários também nos ajudam a descobrir a etimologia das palavras, a
22 separação silábica e a classe a que determinada palavra pertence.
23 Os benefícios são tantos que mal consigo acreditar que as pessoas abram mão de uma
24 ferramenta tão poderosa e se entreguem tão facilmente a uma leitura adivinhada. Não nego que,
25 com frequência, seja perfeitamente possível inferir o sentido de uma palavra com base no
26 contexto; mas este é um recurso perigoso.
27 Não usei a palavra “adivinhada” à toa. É isso que muitas pessoas fazem. É por isso também,
28 aliás, que às vezes parece que duas pessoas leram textos diferentes. Cada um atribuiu às
29 palavras o sentido que lhes veio à cabeça.
30 Consultar o dicionário não é uma chatice que interrompe o curso da leitura; é, na verdade,
31 um indício de que você está lendo com a inteligência desperta a ponto de distinguir as coisas que
32 você entende das que não entende, as coisas que você conhece das coisas que não conhece.
33 A mesma professora dizia também que o dicionário não é o pai dos burros; é a mãe dos
34 inteligentes. É necessário ter alguma inteligência para procurar saciar a sede de saber. Quem
35 tem sede, vá ao dicionário e sacie-se.
(CRUZ, William Campos da. Tudo converge para o texto: gramática, escrita e leitura. 1ª ed. - Rio de Janeiro: Eleia Editora, 2024 – texto adaptado especialmente para esta prova).
Em relação aos mecanismos de coesão referencial, analise as assertivas abaixo:
I. O pronome oblíquo “lhe” (l. 09) retoma o termo “professora”.
II. O pronome oblíquo “os” (l. 18) retoma o termo “dicionários”.
III. Os pronomes demonstrativos “este” (l. 26) e “isso” (l. 27) exercem uma função coesiva anafórica.
Quais estão corretas?
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Gabarito: Alternativa E.

