Questão de PortuguêsInterpretação e Compreensão de Texto
- Banca:
- CESGRANRIO
- Ano:
- 2009
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- Q2950256
Quem não passou pelo pesadelo de sair de casa para um compromisso com hora marcada e ver o cronograma estourar por causa do trânsito? Assim se perderam viagens, reuniões de negócios, provas na 5 escola e outras oportunidades. Resultado: prejuízo na certa. Seja ele financeiro ou mesmo moral — afinal, como fica a cara de quem chega atrasado ao trabalho? Mas será que existe um mecanismo que leve ao cálcu- lo das perdas provocadas por estes preciosos minutos 10 gastos dentro de um automóvel — ou transporte coleti- vo — numa avenida de uma grande cidade brasileira? Quanto custa um engarrafamento? As respostas para estas perguntas, infelizmente, ninguém sabe ao certo. Estudo do Denatran, em parceria com o Ipea, so- 15 bre “Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de Trânsito nas Rodovias Brasileiras” revela que — além da perda de tempo — a retenção no trânsito provoca ainda o aumento do custo de operação de cada veículo — combustível e desgaste de peças. Os congestio- 20 namentos trazem danos também para os governos. Cidades e estados gastam fortunas com esquemas de tráfego, engenheiros, equipamentos e guardas de trân- sito. Quando motivado por acidente, o engarrafamento 25 fica ainda mais caro, pois envolve bombeiros, ambu- lâncias, médicos, hospitais, internações, medicamen- tos, lucros cessantes e, eventualmente, custos fúne- bres, além das perdas familiares. Nos Estados Unidos, as autoridades incluíram, no custo financeiro do engar- 30 rafamento, o estresse emocional provocado em suas 75 maiores cidades. Conta final: U$ 70 bilhões/ano. Isso sem falar nos custos ambientais — é consenso na co- munidade científica que a queima de combustíveis fó- sseis, como o petróleo, pelos automóveis é uma das prin- 35 cipais causas de emissões de carbono, um dos causa- dores do aquecimento global. A maior cidade do Brasil tem também os maiores engarrafamentos. A frota da Grande São Paulo atingiu, em 2008, a marca de seis milhões de veículos. Este 40 número só aumenta: são vendidos cerca de 600 carros por dia — segundo a Associação Nacional dos Fabri- cantes de Veículos Automotores (Anfavea). O consul- tor de tráfego Horácio Figueira só vê uma solução: “É preciso priorizar o transporte coletivo. Caso contrário, 45 as cidades vão parar”, alerta. Enquanto 60% da popu- lação do país utilizam o transporte público, apenas 47% dos paulistanos seguem o mesmo exemplo. A falta de conforto e os itinerários limitados dos ônibus levaram 30% dos usuários a optar pelas vans, realimentando os 50 quilométricos congestionamentos da cidade.
CARNEIRO, Claudio. In: Opinião e Notícia, 20 mar. 2008. Disponível em: http://opiniaoenoticia.com.br/vida/transito-nas-grandes-cidades-opreco-do-tempo-perdido. Acesso em: 3 ago. 2009.
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