Questão de PortuguêsInterpretação e Compreensão de Texto
- Banca:
- COMPERVE - UFRN
- Ano:
- 2008
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- Q2920453
O pior cego
AO DELEGADO, o assaltante contou que estava apenas começando na carreira do crime. E começando mal, tinha de reconhecer. Fracassara em sua primeira tentativa de 3 assalto e agora estava ali, na delegacia, prestes a curtir uma temporada na prisão. Mas alguma coisa aprendera com o insucesso. Na verdade, duas coisas. A primeira delas: facilidades são enganosas. Vendo o cego, achara que ali estava a 6 vítima ideal: um homem que caminhava com dificuldade, tateando o chão com sua bengala. E que levava um celular preso à cintura, pedindo para ser arrebatado. Agora: como poderia ele imaginar que um cego, e ainda por cima franzino, teria tamanha força 9 nos braços? E fora exatamente isso que acontecera: o cego o prendera num abraço poderoso, que nada tinha de afetivo: queria apenas imobilizá-lo até que chegasse a polícia. 12 Segunda coisa: fora um erro colocar o celular na cueca. Aliás, isso ele já deveria saber, depois daquela experiência dos caras presos com um monte de dólares nas cuecas. Um incidente que divertira todo o país e que poderia lhe ter servido de 15 advertência. Esses erros ele não mais cometeria. Daí por diante, na senda do crime, manteria os olhos bem abertos. Como dizia um vizinho seu, o pior cego é aquele que não quer ver. E o 18 vizinho seguramente sabia do que estava falando. Porque era cego e nunca fora assaltado.
SCLIAR, Moacyr. Folha de São Paulo. Cotidiano. São Paulo, 07 de abril de 2008. Disponível em: <www.folhadesaopaulo.com.br>. Acesso em: 02 maio 2008.
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Gabarito: Alternativa D.

