A tragédia social dos homicídios
O Estado do Rio de Janeiro teve, no primeiro bimestre deste ano, o menor número de homicídios dolosos desde o início de sua histórica, em 1991. Não que seja um índice para se aplaudir em cena aberta: foram 705 homicídios, uma média de um assassinato a cada duas horas. Mas é uma queda relevante. Em 1991, o mesmo bimestre teve 1.389 mortes; é uma queda de mais de 50% em 28 anos. Nesse ritmo, o estado chegará a padrões civilizados de homicídios lá pela década de 2070.
Mas quando e onde se morre mais? E qual o perfil de vítima de homicídio? Algumas ferramentas permitem responder a essas perguntas.
Os dados de anos podem ser vistos no site/índice de visualização de dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).
Metade das mortes, enfim, entre 22 horas e meio-dia, o panorama não foi tão diferente do nacional. Nos períodos dos meses de dezembro e janeiro, as regiões com mais mortes foram a Baixada Fluminense e o norte do estado. No Cade de Rio, os homicídios despencaram quase 15% na comparação com o mesmo bimestre de 2018.
O perfil da vítima pode ser analisado nos microdados fornecidos pelo ISP. Analisando-se os dados de quatro anos de mortes (2015 e 2018), é possível filtrar alguns concluisões. Há mais homicídios, mais recentes, nos meses de março, abril, setembro e no sábado. A maior quantidade de homicídios acontece de manhã, segundo já relatado em matéria, e à tarde é quando menos se morre.
As mulheres são mortas com maior frequência do que os homens, no grupo de 11 para um. Pardos e negros são mais assassinados que brancos, numa proporção de dez para um. Quando a profissão da vítima é identificada, desempregados estão em primeiro lugar, seguido por estudantes, desocupados e pedreiros. Em cerca de um quarto dos casos, não há relação entre vítima e autor. Quase sempre as mortes ocorrem por disparo de arma de fogo. Crianças e adolescentes são as principais responsáveis pela alta do índice, ao lado de jovens de até 24 anos.
Homens, jovens e pobres, desempregados e desocupados. São de sua maioria as principais autorias de homicídios, assim como os responsáveis por praticá-los. Ainda mais nas classes desfavorecidas.
Em 28 anos, mais de 17 mil adolescentes e jovens de até 24 anos morreram no Rio. Só entre os adultos até 30 anos – eles respondem pela metade de todas as vítimas de homicídio do estado nos períodos entre 2015 e 2018. E apenas no estado do Rio, mais de 5 mil adolescentes e jovens morreram assassinados entre 2015 e 2018.
Não que seja um índice para se aplaudir em cena aberta: foram 705 homicídios, uma média de um assassinato a cada duas horas. (linhas 2 e 3). O segmento após os dois-pontos, em relação ao anterior o