Questão de PortuguêsSintaxe: termos da oração e período
- Banca:
- AOCP
- Órgão:
- DESENBAHIA
- Ano:
- 2009
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- Q2881941
Texto associado
Itália
aposta no STF para
extraditar Battisti
O
governo da Itália decidiu considerar
esgotadas todas
as negociações com o Executivo brasileiro e
apostar
todas as suas fichas no Supremo Tribunal
Federal para
obter a extradição do terrorista Cesare
Battisti,
condenado à prisão perpétua pela Justiça
italiana pelo
assassinato de quatro pessoas.
Conforme a Folha apurou, a
convocação do
embaixador
da Itália em Brasília, Michele Valensise,
ocorreu com
duas intenções. A primeira, para manifestar
a
“amargura” e a “decepção” pela decisão do
governo
brasileiro de conceder refúgio a Battisti. A
outra foi
operacional, para definir as formas de
atuação junto ao
STF.
Valensise
chegou ontem a Roma e já se
encontrou com
o chanceler Franco Frattini para fazer um
relato de seus
contatos no Brasil e repassar as brechas que
ainda
existem para que Battisti seja
extraditado.
O
embaixador deverá ter novos encontros com
autoridades do Executivo e do Judiciário
italianos, mas
a orientação do chanceler é que ele possa
voltar a
Brasília nos próximos dias.
Chamar o embaixador para
consultas é, sob o
ponto de
vista diplomático, uma manifestação
explícita de
desagrado e de mal-estar. Apesar disso, a
intenção da
Presidência e da chancelaria italianas é
concentrar suas
críticas no ministro da Justiça, Tarso
Genro, que
decidiu pelo refúgio a Battisti, e assim
mesmo
reconhecer que, pela legislação brasileira,
ele tinha de
fato essa prerrogativa.
Na avaliação italiana, Tarso
Genro não teria
errado ao
avocar para si a decisão, mas o mérito de
sua medida
tem de ser discutido. Pelos relatos levados
pelo
embaixador ao chanceler, não cabe ao STF
julgar o
mérito dos crimes cometidos por Battisti
quando ele
militava no PAC (Proletários Armados pelo
Comunismo), mas cabem, sim, duas etapas de
julgamento.
A
primeira é se a concessão do refúgio com
uma
canetada do ministro elimina a análise do
pedido de
extradição feito pela Itália. Em caso
afirmativo, o caso
está encerrado e Battisti tem o direito de
permanecer no
Brasil. Em caso negativo, o STF deverá
julgar a segunda
fase, sobre a extradição em si.
O chanceler e o embaixador
italianos
repassaram o
pedido e informaram ao seu governo que está
“bem
fundamentado, tem legitimidade” e, assim,
boas
chances de ser acatado pelo tribunal
brasileiro.
Apesar da tensão, há duas
manifestações
distintas no
governo e na chancelaria da Itália: uma para
a opinião
pública, dura e irritada contra o Brasil; a
outra para
Brasília, mais amena e política,
justificando que a
“dureza” é necessária para satisfazer a
pressão interna.
Tanto na avaliação do Planalto e do
Itamaraty quanto na
Embaixada da Itália em Brasília, um dos
fatores para a
atual crise tem sido o papel da imprensa,
que, segundo
os dois lados, tem atuado para “botar fogo”
num clima
já quente.
Uma
das missões do embaixador é tentar
apaziguar os
ânimos. A ordem do presidente Lula aos
ministros e
assessores é silenciar sobre o
assunto.
Ontem,
Frattini afirmou a uma rádio italiana
que “o
Brasil é um país amigo da Itália e
continuará sendo, mas
a sua atitude neste caso não é aceitável.
Iremos até o
fim”. “Esperamos que o Brasil entenda as
nossas
razões”, disse o chanceler.
A Câmara dos Deputados da
Itália aprovou
ontem uma
moção dos partidos governistas e de oposição
exigindo
que o Brasil revogue o refúgio.
Texto adaptado do jornal
Folha de São Paulo,
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009. Brasil
A7
Em “Apesar da tensão, há duas manifestações
distintas...”, temos, respectivamente,

