Questão de PortuguêsInterpretação e Compreensão de Texto
- Banca:
- IMA
- Ano:
- 2019
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- Q2689554
1--------- O regime capitalista de produção pressupõe a generalização da produção para a troca. Com a 2 expansão desta - entendida como expressão da diferenciação da divisão social do trabalho - ocorre 3 também a separação definitiva dos produtores diretos de mercadorias dos seus meios de produção. 4 Expropriados, passam a ser possuidores de uma única mercadoria - sua força de trabalho. 5 Proletarizados, são convertidos em trabalhadores assalariados. Simples operadores dos instrumentos 6 de produção que não mais lhes pertencem. 7 --------- Para participar do processo de troca, para ter existência social, o produtor precisa então levar 8 sua mercadoria ao mercado, onde esta irá defrontar-se com todas as demais mercadorias. Seu 9 possuidor a leva "livremente" ao mercado e vende-a por tempo determinado, forma única de 10 continuar sobrevivendo. Não se aliena definitivamente dela, pois só agindo assim pode continuar 11 participando da troca. Caso contrário, nada mais teria a oferecer. Alienando-se de sua mercadoria 12 única, nada mais seria que um escravo - ele próprio mercadoria. Isso significa que alguém, o 13 comprador, proprietário do dinheiro e dos meios de produção, adquire o direito de usar essa força de 14 trabalho pelo tempo acordado. Caracteriza-se, assim, a dicotomia proprietários dos meios de 15 produção/proletários. 16--------- Os proprietários da força de trabalho, os trabalhadores, submetem-se, porque dessa maneira 17 integram-se eles próprios no mercado. Só assim podem ter acesso à mercadoria dinheiro - 18 representado neste caso pelo salário - passaporte único às demais mercadorias, o que lhes permite a 19 sobrevivência. Nesse sentido, percebe-se que o salário, expressão do valor da força de trabalho, não 20 importa os meios pelos quais seja estabelecido, não "deveria" descer a níveis que ameacem a própria 21 sobrevivência e reprodução da classe trabalhadora dada a importância para o capital, que a submete, 22 mas que dela necessita (até mesmo enquanto exército de reserva), para continuar sua trajetória de 23 valorização e acumulação. (Pelo menos até a fase atual, o capitalismo não conseguiu se descartar 24 definitivamente da força de trabalho, embora a substituição de trabalho vivo por trabalho morto seja 25 mais e mais acelerada). 26--------- O trabalho torna-se então alienado, vazio de sentido para o trabalhador, dado que o resultado 27 de sua atividade passa a ser propriedade de outrem. Nesse ponto, é bastante oportuna a seguinte 28 citação: "O antigo possuidor de dinheiro marcha adiante como capitalista, segue-o o possuidor da 29 força de trabalho como seu trabalhador, um, cheio de importância, sorriso satisfeito e ávido por 30 negócios; o outro, tímido, contrafeito, como alguém que levou a própria pele ao mercado e agora não 31 tem mais nada a esperar, exceto o - curtume." Revela-se aqui todo o significado do fato de a força de 32 trabalho ser transformada em uma mercadoria a mais, no mundo da produção capitalista, em que os 33 produtos do trabalho não mais pertencem a seus produtores, anônimos participantes de um espetáculo 34 no qual entram em cena sem nem mesmo perceber e no qual têm de permanecer independentemente 35 de sua vontade. Sua sobrevivência está agora delimitada por decisões que vão, cada vez mais, 36 afastando-se de seu domínio, às quais, por meios mais ou menos violentos, acabam sendo obrigados a 37 acatar. A "liberdade", não conquistada senão que imposta, que lhes permite colocar sua força de 38 trabalho à venda, significa a subordinação completa, definitiva, do trabalho ao capital. Este, sim, 39 impondo as regras e condições aos personagens que a ele são atrelados. O conflito é inerente e 40 intransponível. Ingenuidade querer eliminá-lo, mantendo-se intocadas as características do cenário 41 em que se insere. ... FONTE: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/violencia-urbana-no-brasil.htm
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Gabarito: Alternativa C.

