Questão de Língua PortuguesaReescritura e Equivalência de Frases
- Banca:
- Instituto IBEST
- Órgão:
- CRECI DF
- Ano:
- 2026
- Cargo:
- PST - Área: Assistente Administrativo - Atendimento ao Público
- Nível:
- Médio
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- GRAN-4308398
Texto para as questões de 1 a 8.
1 “Tinha um fogão ali, entendeu? Já colocavam em cada unidade um fogão. Olha que coisa!”, conta o bancário
aposentado Lismar Fonseca, morador do Conjunto Habitacional Santa Cruz, na Vila Mariana, bairro de São Paulo. No
depoimento concedido em 2015 à historiadora e arquiteta Flávia Brito do Nascimento, ele relembra o maravilhamento
4 da mãe ao chegar na década de 1940 ao imóvel recém-construído e deparar-se com o eletrodoméstico, oferecido como
parte integrante da nova casa.
A entrevista é uma das mais de 50 realizadas na década de 2010 por Nascimento, professora da Faculdade de
7 Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAU-USP), com moradores de quatro conjuntos
habitacionais paulistas. A história oral foi parte fundamental de sua pesquisa de livre-docência apresentada em 2022
na USP.
10 Entre outros pontos, Nascimento analisa a moradia popular erguida entre os anos 1940 e 1960 nas cidades do
Rio de Janeiro e de São Paulo. O período é conhecido como o auge da arquitetura moderna no país. “Os conjuntos
habitacionais se tornaram agenda de Estado com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder em 1930 e essa política
13 ganhou força a partir do Estado Novo [1937-1945]”, conta Nascimento. “Na concepção varguista, a organização do
trabalho passava também pela estruturação de uma moradia. Os arquitetos modernos brasileiros vão encontrar nessa
política de moradia social um lugar para colocar suas ideias em prática, muito pautadas pela racionalização dos
16 espaços.”
Segundo a pesquisadora, até o início da ditadura militar (1964-1985), o ciclo de construção de moradias sociais
no país foi conduzido, em grande parte, pelos institutos de aposentadorias e pensões de diversas categorias
19 profissionais, que estavam sob a tutela do governo federal. “Os institutos disponibilizavam unidades de moradia aos
afiliados, que eram apenas alugadas e não vendidas, mediante desconto em folha de pagamento”, esclarece
Nascimento. “Esses conjuntos habitacionais foram construídos em várias partes do Brasil.”
22 Os conjuntos habitacionais visitados em São Paulo pela arquiteta durante a pesquisa foram iniciativas do
Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários (IAPI) e do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários
(IAPB). “Em geral, os trabalhadores sindicalizados inscritos eram pessoas de baixa renda e precisavam ter uma família
25 ou ser casados para poder morar no apartamento”, diz a arquiteta.
As mulheres solteiras eram exceção no universo habitacional promovido pelo Estado, como lembra a
pesquisadora. “Para os solteiros e solteiras, houve projetos de conjuntos específicos, embora em número reduzido, a
28 exemplo da Casa da Bancária, construída no final dos anos 1950 pelo IAPB, no Rio de Janeiro”, relata.
Segundo a pesquisadora, o Estado promoveu essa política habitacional a partir dos anos 1930 visando não
apenas ao bem-estar social. “Era também uma forma de interferir na vida privada dos trabalhadores”, constata.
31 A cientista social Silvana Rubino, do Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp), conta que a engenheira Carmen Portinho, diretora entre 1948 e 1960 do Departamento de Habitação
Popular (DHP), órgão da Prefeitura do Rio de Janeiro, teve a ideia de fazer o Conjunto Residencial Prefeito Mendes de
34 Morais, conhecido como Pedregulho, após uma temporada na Europa. Inaugurada em 1950, no bairro São Cristóvão, a
construção foi desenhada pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy, companheiro da engenheira e então diretor do
Departamento de Urbanismo da prefeitura carioca. “O projeto teve grande participação de Carmen, embora não leve
37 sua assinatura”, afirma Rubino.
A engenheira buscava nos projetos de moradia do DHP simplificar os espaços das casas para as moradoras.
Exemplo disso é a lavanderia coletiva do Pedregulho. “Em consonância com o pensamento moderno, ela propunha
40 que a ‘mão cansada’ da mulher trabalhadora que habitaria o conjunto não deveria encontrar um tanque em cada
unidade, e sim uma lavanderia para todos, eventualmente ocupada por trabalhadoras remuneradas para fazer aquele
serviço”, conta Rubino.
43 Entretanto, a lavanderia coletiva logo se tornou motivo de polêmica. Isso porque o equipamento, que contava
com máquinas de lavar importadas dos Estados Unidos, situava-se em uma edificação à parte, onde ficava também o
mercado. Segundo Nascimento, a exposição das roupas surradas e o trabalho de levá-las para lavar fora encontraram
46 resistência entre uma significativa parcela dos moradores do Pedregulho. “As pessoas passaram a improvisar a
lavagem da roupa da família em baldes e bacias dentro dos apartamentos”, acrescenta Rubino.
No caso do Pedregulho, os inquilinos naqueles primórdios eram funcionários da prefeitura, como vigilantes e
49 garagistas, que vinham de habitações precárias ou casas simples em vilas operárias. “As assistentes sociais do DHP
buscavam estabelecer um vínculo entre os moradores e aqueles espaços construídos dentro dos preceitos da
arquitetura moderna. Em suma, elas ensinavam a maneira ‘correta’ de essas pessoas interagirem com suas casas”,
52 comenta Rubino. Segundo a pesquisadora, a estratégia incluía um apartamento modelo no próprio Pedregulho,
ocupado por mobiliário moderno. “Foi essa a imagem que circulou o mundo em periódicos, mas ela não correspondia
nem de longe à apropriação do espaço pelos moradores”, observa.
CARINI, Márcia. Vida em conjunto. In: Revista Pesquisa Fapesp, ed. 358, nov./2025 (com adaptações).
De acordo com o Manual de Redação da Presidência da República, um dos mecanismos para o estabelecimento da coesão e da coerência de um texto é a substituição, definida como a colocação de um item lexical no lugar de outro(s) ou no lugar de uma oração, conforme o seguinte exemplo: “O ofício está pronto. O documento trata da exoneração do servidor.” Com base nessa definição, é correto afirmar que, no texto apresentado,
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