Questão de PortuguêsInterpretação e Compreensão de Texto
- Banca:
- CONSULPLAN
- Ano:
- 2016
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- Q729774
Texto associado O coronel, que então morava já na cidade, tinha um compadre sitiante que ele estimava muito. Quando um filho do compadre Zeferino ficava doente, ia para a casa do coronel, ficava morando ali até ficar bom, o coronel é que arranjava médico, remédio, tudo. Quase todos os meses o compadre pobre mandava um caixote de ovos para o coronel. Seu sítio era retirado umas duas léguas de uma estaçãozinha da Leopoldina, e compadre Zeferino despachava o caixote de ovos de lá, frete a pagar. Sempre escrevia no caixote: CUIDADO É OVOS – e cada ovo era enrolado em sua palha de milho com todo cuidado para não se quebrar na viagem. Mas, que o quê: a maior parte quebrava com os solavancos do trem. Os meninos filhos do coronel morriam de rir abrindo o caixote de presente do compadre Zeferino; a mulher dele abanava a cabeça como quem diz: qual...Os meninos, com as mãos lambuzadas de clara e gema, iam separando os ovos bons. O coronel, na cadeira de balanço, ficava sério; mas, reparando bem, a gente via que ele às vezes sorria das risadas dos meninos e das bobagens que eles diziam: por exemplo, um gritava para o outro – “cuidado, é ovos”! Quando os meninos acabavam o serviço, o coronel perguntava: – Quantos salvaram? Os meninos diziam. Então ele se voltava para a mulher: “Mulher, a quanto está a dúzia de ovos aqui no Cachoeiro?” A mulher dizia. Então ele fazia um cálculo do frete que pagara, mais do carreto da estação até a casa e coçava a cabeça com um ar engraçado: – Até que os ovos do compadre Zeferino não estão me saindo muito caros desta vez. [...] (BRAGA, R. O Compadre Pobre. In. BRAGA, R. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2013. Fragmento.)
Considerando o modo de organização como o texto se apresenta e/ou características linguísticas utilizadas, pode-se afirmar queVer gabarito oficial
Gabarito: Alternativa C.

