Questão de PortuguêsMorfologia: classes de palavras
- Banca:
- AOCP
- Órgão:
- Câmara de Salvador - BA
- Ano:
- 2011
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- Q2714121
Texto associado
TEXTO 1
As torcidas organizadas não
são as (únicas)
culpadas
Torcidas organizadas
agora recebem o rótulo
de
"facções". É uma clara tentativa de
relacioná-las ao
mundo do crime, como se todas as suas
atitudes
fossem ilícitas. Mas a realidade é
diferente. O
torcedor organizado não é bandido. Ele
trabalha (a
média de desemprego nas torcidas é de 2,8%,
em
comparação com os 8,1% da média brasileira),
mora
com os pais (86,8%) e tem um significativo
grau de
instrução (80,8% possui de 10 a 12 anos de
escolaridade).
Esses números fazem parte do
resultado de
uma
pesquisa que realizei com 813 integrantes
das três
maiores organizadas de São Paulo. São dados
que
desmentem a visão de que seus filiados são
vagabundos que se associam para o crime.
Costuma-se generalizar, mostrando que as
mortes
que ocorrem no futebol têm a ver apenas com
as
torcidas. Não é verdade. Por isso, pregar a
extinção
das organizadas para estancar a violência é
a
mesma coisa que defender o fim do Senado
para
acabar com a corrupção.
Enquanto alguns culpam
apenas as torcidas
organizadas, outros responsáveis pelo
problema
são poupados. Há o Estado, que muitas vezes
não
oferece um policiamento de qualidade,
preparado
para atuar em jogos de futebol. Jogadores e
dirigentes incitam a violência com
declarações
impensadas. E grande parte da imprensa, na
ânsia
de encontrar respostas imediatas a um
problema
histórico, comete equívocos básicos, como
não
ouvir todas as partes envolvidas. O
resultado é uma
visão deturpada e preconceituosa, que não
contribui para a superação do
problema.
Outros
números da pesquisa apontam que é um
erro subestimar a capacidade de
discernimento dos
torcedores organizados. A maioria tem
compreensão dos fatores que causam a
violência e
apontam a imprensa (78,1%) e a polícia
(19,5%)
como co-responsáveis. Engana-se também quem
pensa que estão pretendendo transferir a
responsabilidade, pois 61,8% remete o
problema a
situações em que os próprios torcedores são
os
protagonistas, como rivalidade, provocação
dos
rivais, falta de educação e
ignorância.
Além
disso, os torcedores organizados,
especialmente os jovens, se reúnem não
apenas
para torcer por suas cores. Eles discutem a
política
do clube, o esporte, entre outros assuntos.
São
questões que atualmente não são abordadas em
outro espaço da sociedade. Mesmo que possuam
uma parcela da responsabilidade pelo clima
bélico
nos estádios, as torcidas organizadas
apresentam
características positivas. Essas agremiações
têm
grande importância para os clubes,
apresentando
um alto grau de fidelidade (85% dos
entrevistados
vão ao estádio de uma a duas vezes por
semana,
independentemente da situação do seu time e
de
onde o jogo será realizado).
E não apenas nas
arquibancadas as
agremiações
demonstram aspectos construtivos.
Geralmente,
são compostas por representantes de diversas
origens e classes sociais, que promovem
ações de
assistência social voltadas para a
comunidade. Há,
portanto, uma inegável importância de cunho
social. Mais do que isso, trata-se de um
ambiente
de aprendizado político, derivado da
convivência
entre os integrantes. Assim, alguns membros
se
destacam, pleiteiam cargos e acabam
tornando-se
dirigentes, enquanto os demais exercem
alguns dos
seus direitos de cidadania. É um espaço de
discussão política, que preenche uma
lacuna.
Obviamente, os crimes e
delitos praticados
por
membros de torcidas devem ser punidos, como
deveria acontecer com todos. Mas a falta de
leis
específicas e a cultura da impunidade no
Brasil
jogam contra a paz no futebol. No Senado,
tramita
um projeto de lei que talvez mude esse
panorama,
modificando e ampliando os direitos e
deveres dos
torcedores e dos organizadores das partidas
de
futebol. Mas, até que essa lei surta efeito,
poderíamos ao menos abandonar o preconceito
com que tratamos as torcidas organizadas. E
deixar
de apontá-las como as únicas vilãs de uma
história
que não tem mocinhos.
Revista Galileu,
n.18, de setembro de 2009.
p.96-97.
As questões de 1 a 12
referem-se ao texto
1
“Mesmo que possuam uma parcela da
responsabilidade pelo clima bélico nos estádios, as
torcidas organizadas apresentam características
positivas.”
A relação lógico-semântica estabelecida pela
expressão mesmo que é a de

