Questão de Língua PortuguesaInterpretação e Compreensão de Texto
- Banca:
- FUNDATEC
- Órgão:
- Prefeitura de Agudo
- Ano:
- 2026
- Cargo:
- Técnico em Enfermagem
- Nível:
- Médio
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- GRAN-4271043
Visões de Régis Bonvicino: poeta e ativo militante cultural
Por Luis Marcio Silva
- Certa vez, ao falar sobre São Paulo, onde nasceu em 1955, o poeta Régis Bonvicino
- afirmou que a cidade lhe parecia uma “espécie de céu inacabado”. Não era no céu, porém, e
- sim no plano comum das esquinas, avenidas e edifícios que ele mapeava São Paulo em seus
- poemas. “Minha poesia não tem muita ficção, tem muita visão, é o que eu vejo”, ele me disse.
- O que Bonvicino via era a metrópole em transformação, consumida pela especulação imobiliária
- e a miséria crescente.
- Foi essa São Paulo que lhe insuflou os primeiros livros “Bicho papel” (1975) e
- “Régis Hotel” (1978). No poema “Sem título (7)”, ele escreveu: são paulo/do teu passado
- tupi/só resta/o rápido som/da palavra aqui. É também essa cidade que comparece nos últimos
- poemas, como os inéditos “Ars vivendi” e “Várzea do Carmo”. Há apenas uma deriva na história,
- que leva até Várzea do Carmo para evocar raízes de uma injustiça ancestral.
- Régis Bonvicino morreu no dia 5 de julho passado, em Roma, onde estava em férias.
- Sofreu uma queda, que lhe causou traumatismo craniano. Estava com 70 anos. Ele não nutria
- visão idealizada da Itália. O que mais o fascinava era o cinema, sobretudo o neorrealismo.
- Desde jovem, Bonvicino foi militante cultural, participando de revistas, traduções e
- jornais. Editou Poesia em G e Qorpo Estranho, que reuniu veteranos e nomes da nova geração,
- como Paulo Leminski. Mais adiante, lançou a revista Sibila, que depois migrou para a internet.
- Ele buscou construir pontes entre poetas brasileiros e estrangeiros, convidando autores como
- Michael Palmer e Charles Bernstein. Suas trocas decisivas ocorreram com Paulo Leminski, de
- cuja correspondência surgiu o livro “Envie meu dicionário” (1999).
- Em seus primeiros livros dialogou com o concretismo, mas foi se afastando
- dessa herança. O momento decisivo foi “Sósia da cópia” (1983). Seu último livro,
- “A nova utopia” (2022), faz um inventário das ruínas do presente. Essa reflexão crítica percorre
- também o libreto “Deus devolve o revólver” (2019).
- Em entrevista, Bonvicino comentou vícios do sistema literário e avaliou que há
- poetas em excesso e leitores de menos. Talvez por reconhecer a inutilidade da poesia – e sua
- liberdade – tenha buscado interlocutores fora da literatura.
(Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/visoes-de-regis-bonvicino/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
O que o trecho abaixo, retirado do texto, revela sobre o poeta?
“Desde jovem, Régis Bonvicino foi um ativo militante cultural, participando da criação de revistas, fazendo traduções e antologias, e escrevendo para jornais”.
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Gabarito: Alternativa C.

