Questão de PortuguêsInterpretação e Compreensão de Texto
- Banca:
- VUNESP
- Ano:
- 2019
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- Q1139055
A casa do tio Dagoberto
Quando tia Eva saiu com as crianças, vovó, a sós conosco, afinal, falou. Disse que no mesmo dia ia voltar para Ibaté, porque tio Dagoberto não era um bom filho, não puxara aos pais. – Você é uma ovelha negra – ela acusou titio. – Que é que eu fiz, mamãe? – meu tio perguntou, estupefato. – Trabalho em dois hospitais, tenho meu consultório... – Mentiras! – declarou vovó. E disse mais: que ele devia ser um criminoso ou coisa pior. E eu, pobre de mim, logo estaria no mesmo caminho, desrespeitando a própria avó. – E não adianta mentir para mim! – afirmou, concluindo a censura: – Sou sua mãe e sei a espécie de bandido que você se tornou! – Mas que é que eu fiz, mamãe? – gemeu agoniado tio Dagoberto. – O que é que você fez, isso eu não sei! – declarou, toda pomposa, vovó. – Mas, se não tivesse feito nada de errado, não estaria escondido aqui em São Paulo, onde ninguém te conhece! Tio Dagoberto abriu a boca e continuou com a boca aberta. Que é que ele podia dizer? No meio do silêncio, vovó virou as costas, saiu da sala e ficou trancada no quarto, até o dia seguinte, quando voltou para Ibaté. E, durante longos seis meses, não dirigiu mais a palavra a mim nem a tio Dagoberto.
(Orlando de Miranda, “A casa do tio Dagoberto” (fragmento). Em: Sete faces do humor, 1992. Adaptado)
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Gabarito: Alternativa D.

