Questão de PortuguêsInterpretação e Compreensão de Texto
- Banca:
- NC-UFPR
- Ano:
- 2007
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- Q2954180
De como não ler um poema
Há tempos me perguntaram umas menininhas, numa dessas pesquisas, quantos diminutivos eu empregara no meu livro A Rua dos Cataventos. Espantadíssimo, disse-lhes que não sabia. Nem tentaria saber, porque poderiam escapar-me alguns na contagem. Que estas estatísticas, aliás, só poderiam ser feitas eficientemente com o auxílio de robôs. Não sei se as menininhas sabiam ao certo o que era um robô. Mas a professora delas, que mandara fazer as perguntas, devia ser um deles. E mal sabia eu, então, que estava dando um testemunho sobre o estruturalismo – o qual só depois vim a conhecer pelos seus produtos em jornais e revistas. Mas continuo achando que um poema (um verdadeiro poema, quero dizer), sendo algo dramaticamente emocional, não deveria ser entregue à consideração de robôs, que, como todos sabem, são inumanos. Um robô, quando muito, poderá fazer uma meticulosa autópsia – caso fosse possível autopsiar uma coisa tão viva como é a poesia. Em todo caso, os estruturalistas não deixam de ter o seu quê de humano... Nas suas pacientes, afanosas, exaustivas furungações, são exatamente como certas crianças que acabam estripando um boneco para ver onde está a musiquinha.
(Mário Quintana)
1. Caracteriza-se por textos curtos e narração em primeira pessoa. 2. Caracteriza-se por considerações de caráter geral, a partir de situações específicas, e pelo texto mais curto. 3. Traz sempre o discurso direto para marcar os personagens/sujeitos do diálogo. 4. Elaborado em determinada esfera de atividade discursiva, dá espaço para o cotidiano.
Assinale a alternativa correta.
Ver gabarito oficial
Gabarito: Alternativa B.

