Questão de PortuguêsTipologia e Gêneros Textuais
- Banca:
- Legalle Concursos
- Órgão:
- Prefeitura de Mato Leitão - RS
- Ano:
- 2026
- Cargo:
- Enfermeiro 40h
- Nível:
- Superior
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- CFP-152797-006
Economia do cuidado e economia circular
O crescimento populacional e as mudanças nos hábitos aumentam a produção e o consumo, gerando novos produtos e equipamentos. Sem uma gestão adequada dos resíduos sólidos, ocorre degradação ambiental progressiva, afetando os seres vivos. Isso demanda integração das dimensões econômica, social e ambiental, pois a economia linear não é sustentável. Como resposta, a inovação social envolve criar soluções originais para problemas coletivos, especialmente ligados às desigualdades e condições de vida precárias. Ela se relaciona com a economia circular, que visa recuperar valor por meio da reutilização de recursos e é fundamental para a sustentabilidade.
Assim, a reciclagem destaca-se como prática que, além de reduzir impactos ambientais, desempenha papel central no campo social, sobretudo ao se constituir como meio de subsistência para mulheres em situação de vulnerabilidade, muitas delas negras e chefes de domicílio.
Um estudo demonstra que mulheres negras e pertencentes às classes trabalhadoras enfrentam grande demanda por atividades de cuidado, que contribuem para a manutenção dos privilégios daqueles que recebem tais cuidados. Nesse contexto, é relevante considerar a relação com a economia do cuidado, conceito que remete à divisão sexual do trabalho tradicionalmente atribuída às mulheres, especialmente em sociedades ocidentais, direcionando a elas responsabilidades relativas ao adimplemento, ao cuidado de filhos, familiares e demais dependentes. Essa configuração social, influenciada por padrões culturais patriarcais, resulta frequentemente na desvalorização e ausência de remuneração dessas tarefas, perpetuando, assim, as desigualdades de gênero.
Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2024) apontam que as mulheres brasileiras dedicam em média 21,3 horas semanais às tarefas domésticas e de cuidado, quase o dobro dos homens (11,7 horas). Mulheres negras realizam 1,6 hora a mais nessas atividades, comparadas às brancas. Entre as mulheres, 32,3% vivem abaixo da linha da pobreza, entre negras, esse percentual é de 41,3%, diante de 21,3% entre brancas. Os dados revelam maior sobrecarga doméstica e exclusão econômica para mulheres negras.
A centralidade desses fatores é reconhecida em normas nacionais e internacionais. Segundo o relatório Stieglitz-Sen-Fitoussi, o PIB é um indicador limitado de progresso. O relatório recomenda incluir bem-estar, sustentabilidade ambiental e equidade de raça nas políticas públicas para evidenciar desigualdades.
No Brasil, o Plano Nacional de Cuidados (Decreto n. 12.562, 2025) afirma o cuidado como responsabilidade compartilhada (Estado, família e sociedade), enquanto o Decreto n. 12.561 (2025) propõe princípios éticos para dados e governança circular. Isso destaca a necessidade de novos indicadores sociais e ambientais, integrando trabalho invisível e sustentabilidade.
Há uma interseção entre a economia do cuidado e a circular, com predominância de mulheres negras em situação vulnerável na coleta e reciclagem de resíduos sólidos. Essas trabalhadoras enfrentam condições precárias e invisibilidade, trazendo impactos sociais, econômicos e ambientais. Assim, a reciclagem não é apenas uma prática ambiental, mas também uma luta por reconhecimento e justiça de gênero. A participação feminina nas organizações de catadores(as) promove trabalho sustentável, empoderamento feminino, delegando a elas o poder de fala, visibilidade, autonomia e geração de renda.
Fonte: CARMO, A. A. do. Economia do cuidado e economia circular: O essencial é invisível aos olhos da sociedade. Cad. Gest. Pública Cid., São Paulo, v. 31, n. 3, 2026 (com adaptações).
No que diz respeito à estruturação lógica do texto e as estratégias argumentativas adotadas pelo autor para convencionar a economia do cuidado à economia circular, analise as partes que seguem:
(1ª parte) O texto adota uma estrutura dissertativo-argumentativa, organizando-se a partir da apresentação de um problema (a insustentabilidade da economia linear) que se desdobra em uma análise social e normativa.
(2ª parte) Para sustentar que a transição ecológica exige novos indicadores sobre o trabalho invisível, o autor recorre ao senso comum e a citações populares para convencer o leitor sobre a divisão do trabalho.
Pode-se afirmar que:
Ver gabarito oficial
Gabarito: Alternativa B.

