Questão de PortuguêsOrtografia e Acentuação Gráfica
- Banca:
- INSTITUTO AOCP
- Órgão:
- EBSERH
- Ano:
- 2015
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- Q2854266
Texto associado
A doçura como
virtude
Rosely Sayao
Muita gente já
observou e comentou a
respeito
do clima tenso e até violento dos
comentários na
internet. Um xinga de cá, outro devolve num
tom
acima de lá. Um texto opinativo suscita
desafetos
e serve de motivo para ataques a quem o
escreveu.
Uma posição política não partidária
dificilmente
passa ilesa, e assim por diante.
Acontece que
esse clima duro, agressivo e
hostil
que encontramos na rede tem se manifestado
também
nos relacionamentos interpessoais na
realidade.
Em muitas empresas, funcionários reclamam da
maneira áspera com que são tratados por
colegas
e chefes, e também dos gritos que ouvem
quando
cometem alguma falha ou deslize. Nunca se
soube
de tantos gritos, palavrões e choros em
ambientes
organizacionais.
Nos
relacionamentos impessoais, que ocorrem
nos espaços públicos entre pessoas que não
se
conhecem, acontece a mesma coisa. O
trânsito,
talvez, seja o exemplo mais didático sobre
tal clima.
Até parece que motoristas e pedestres são
inimigos
entre si e uns dos outros e, em estado de
guerra,
andam sempre armados e prontos para rebater
o que
consideram desaforo. Uma única barbeiragem
ou
indecisão é suficiente para provocar uma
saraivada
de impropérios.
Os relacionamentos
pessoais e afetivos
também
têm sofrido dessa dureza na convivência:
amigos
se destratam por motivos banais e demoram
para
perdoar uns aos outros; casais, quando
enfrentam
conflitos e desavenças, perdem o controle de
seus
impulsos e usam tom e palavras que provocam
intenso sofrimentos a ambos.
E nas famílias
,claro, isso se repete.
Muitas mães
e pais, que vivem declarando amor
incondicional aos
filhos, quando precisam usar a firmeza para
dar uma
bronca, chamar a atenção ou mesmo cobrar
algo deles,
perdem a delicadeza e se tornam
demasiadamente
ásperos. Entre as crianças percebemos com
clareza o
resultado dessas lições que elas têm
aprendido com
os adultos: à medida que crescem, cresce
também
a hostilidade que manifestam a seus pares na
convivência. Tem faltado doçura nos
relacionamentos
interpessoais e no trato com as
crianças.
A doçura é uma virtude. Ela, portanto,
pode
– e
deve – ser ensinada. Não é grande, porém, o
número
de pais que se ocupam com os ensinamentos de
virtudes a seus filhos. Muitas, hoje, são
confundidas
com fraqueza e, por esse motivo, muitos pais
hesitam
em ensiná-las aos filhos. A própria doçura é
uma
delas! Já ouvi um pai reclamar com o filho
de pouco
mais de nove anos por ele não ter respondido
em tom
agressivo a uma provocação de um colega,
dizendo:
“Você tem sangue de barata!”.
É possível
ensinar o que for preciso aos
filhos com
doçura. Mesmo em situações estressantes –
quando
os filhos desobedecem, transgridem, agridem,
desrespeitam, fazem manha, birra e tudo o
mais que
eles sabem muito bem fazer – é possível ter
e manter
a calma, o que possibilita que o que for
preciso ser
dito seja feito com suavidade e doçura.
Mesmo os
pais que se identificam como “muito chatos”
com os
filhos ou bem rigorosos na educação que
praticam
podem manifestar ternura em seus atos.
As
reclamações sobre os estilos dos
relacionamentos nesse mundo são tantas, que
muitos pais tentam proteger seus filhos,
colocando-os
em verdadeiras “redomas” que, no entanto, se
arrebentam quando os filhos chegam à
adolescência.
Talvez seja mais efetivo se esforçarem, com
o uso
e o ensinamento das virtudes – hoje, da
doçura em
especial – para que essa realidade
mude.
Adaptado de
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselys
ayao/
2015/02/1590810-
Assinale a alternativa correta quanto à
acentuação dos pares.

