Questão de PortuguêsInterpretação e Compreensão de Texto
- Banca:
- CETREDE
- Ano:
- 2021
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- Q1999128
Em certo reino um rei havia De nobre estirpe secular Que começou, um belo dia, Do pé direito capengar.
Um calo enorme era o motivo Que dava ao rei um tal cacoete: Calo feroz, duro, agressivo, Plantado sobre o real joanete.
Mas essa causa assim plebeia Ficava mal de publicar; E toda a corte teve a ideia De andar coxeando, a capengar.
Príncipes, duques e marqueses, Viscondes, condes e barões Andavam, coxos e corteses, Com mil mesuras a capengar.
Desde a nobreza solarenga Ao camponês da rude grei, Tudo no reino era capenga Para “engrossar” o velho rei.
E o rei sorria, satisfeito, Por ser benquisto e popular; Não era mais nenhum defeito, Naquele reino, o capengar.
Mas eis que, um dia, um tipo surge, Em passo firme, andando bem O povo, unânime, se insurge, E a corte a fúria não contém.
Possessa, diz toda a cidade: ‒ Castigo dê –se -lhe, exemplar! Crime é de lesa-majestade Viver, aqui, sem capengar.
É preso o infame; e logo o júri Se reúne ali dos cidadãos, Para que o crime, enfim, se apure, E o vil, da lei, caia nas mãos.
E clama o júri: ‒ o reino insulta! O nosso rei tenta aviltar! E ruge e freme a turbamulta, De um lado a outro, a capengar.
Mas fala o réu: ‒ Por Jesus Cristo, Não me mandeis para as galés! Se ando direito é só por isto: Eu sou capenga dos dois pés.
Bastos Tigre
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Gabarito: Alternativa C.

