Questão de PortuguêsMorfologia: classes de palavras
- Banca:
- IGEDUC
- Órgão:
- Câmara de Palmeira dos Índios - AL
- Ano:
- 2026
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- QC-4020689
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Não foi sempre azul: como a cor do céu mudou 'dramaticamente' no
planeta Terra.
A maioria das pessoas acha que o céu azul é algo garantido. Mas essa cor
já pode ter sido bem diferente ao longo da história da Terra, e cientistas
dizem que ela pode mudar outra vez.
Existem dois fatores principais que fazem o céu parecer azul durante o
dia, segundo Finn Burridge, divulgador científico do Observatório Real de
Greenwich (Reino Unido).
"O primeiro é o Sol", explica. "A luz solar normal é
branca, o que significa que contém todas as cores do arco-íris: vermelhos,
amarelos, verdes e azuis."
O segundo fator é a composição da atmosfera. O céu contém enormes
quantidades de partículas minúsculas, como nitrogênio, além de oxigênio e vapor
d'água, que espalham a luz em todas as direções, afirma Burridge.
A luz azul tem comprimento de onda menor do que a maioria das outras
cores e é mais dispersada, preenchendo o céu com essa tonalidade.
Esse processo é conhecido como dispersão de Rayleigh, em referência a
Lord Rayleigh (1842−1919), físico britânico que desenvolveu a teoria na década
de 1870.
Ao nascer e ao pôr do Sol, a luz solar precisa atravessar uma porção
muito maior da atmosfera, porque o Sol está mais baixo no horizonte.
A luz azul é então dispersada com tanta intensidade que é desviada para
longe de nós. Restam os tons de vermelho e laranja, menos dispersados, que
alcançam nossos olhos e produzem os céus que vemos.
O céu azul brilhante da Terra é único no Sistema Solar, afirma Burridge,
do Observatório Real de Greenwich.
Embora alguns planetas, como Júpiter, sejam considerados como tendo uma
camada superior levemente azulada semelhante à da Terra, a tonalidade é muito
menos intensa.
Por estar mais distante do Sol, Júpiter recebe apenas cerca de 4% da luz
solar que chega à Terra. "Por isso, não se tem aquele azul forte e bonito
que vemos aqui", explica Burridge.
Em outros planetas, o cenário é completamente diferente.
Marte tem uma atmosfera fina, o que faz com que a dispersão de Rayleigh
ocorra de forma limitada. Em vez disso, as numerosas partículas de poeira,
maiores do que o nitrogênio e o oxigênio presentes na atmosfera terrestre,
espalham a luz de outra maneira.
Esse fenômeno é chamado de "espalhamento Mie" e resulta em um
céu avermelhado ou amarelado, com pores de sol azulados.
O céu azul que conhecemos hoje é um fenômeno relativamente recente na
longa história da Terra.
Embora não seja possível saber com certeza como era o céu no passado,
cientistas estimam que sua cor pode ter variado conforme os gases presentes na
atmosfera em cada período.
Quando a Terra se formou, há cerca de 4,5 bilhões de anos, a sua
superfície era em grande parte composta por material fundido. À medida que o
planeta esfriou, uma hipótese indica que a atmosfera primitiva era formada
principalmente por gases liberados por erupções vulcânicas e outras atividades
geológicas — como dióxido de carbono e nitrogênio, além de pequenas quantidades
de metano, com pouquíssimo oxigênio presente.
Com o tempo, a vida surgiu na forma de bactérias ancestrais, que passaram
a liberar grandes quantidades de metano na atmosfera. A luz solar que incidia
sobre esse metano o transformava em compostos orgânicos mais complexos,
formando névoas alaranjadas no céu, semelhantes à poluição atmosférica.
Uma mudança significativa ocorreu há cerca de 2,4 bilhões de anos,
durante o chamado "Grande Evento da Oxidação", quando os organismos
primitivos conhecidos como cianobactérias passaram a realizar fotossíntese,
convertendo a luz solar em energia e liberando grandes quantidades de oxigênio.
O oxigênio começou a se acumular em níveis relevantes na atmosfera,
eliminando gradualmente as névoas de metano. Com a consolidação de uma
atmosfera semelhante à atual, o céu passou a apresentar a coloração azul
observada hoje.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckg125pxgq0ohtt
ancestrais, que passaram a liberar grandes quantidades
de metano na atmosfera."
Considerando o processo de formação das palavras
presentes no trecho e no texto-base, julgue as
afirmativas.
I. O vocábulo 'ancestrais' contém o prefixo 'an-', que
indica negação, conferindo à palavra o sentido de 'não
originários', característica recorrente em termos
etimologicamente relacionados ao grego.
II. O vocábulo 'pouquíssimo' recebe um elemento
mórfico, indicando grau máximo da característica
expressa pela palavra-base. Por um processo
semelhante de derivação sufixal, os vocábulos 'crente' e
'ladrante' também se formam a partir de sufixos, embora
neste caso os sufixos não indiquem intensificação.
III. O vocábulo 'cianobactérias' resulta do mesmo
processo de formação observado em 'girassol' e
'beija-flor', na qual os elementos formadores se unem
sem alteração estrutural de seus constituintes.
IV. O vocábulo 'dramaticamente' constitui exemplo de
derivação sufixal, formada a partir do adjetivo 'dramático'
mediante o acréscimo do sufixo adverbial '-mente'; tal
processo evidencia que as palavras derivadas podem
apresentar matizes semânticos distintos em relação à
base primitiva, embora permaneçam inseridas em um
mesmo campo de significação.
Após análise das afirmativas, identifique a alternativa
CORRETA.

