Questão de LiteraturaTeoria Literária, Escolas Literárias
- Banca:
- VUNESP
- Órgão:
- UEA
- Ano:
- 2025
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- Q3921811
Martim vai a passo e passo por entre os altos juazeiros que cercam a cabana do Pajé.
Era o tempo em que o doce aracati1 chega do mar e derrama a deliciosa frescura pelo árido sertão. A planta respira; um suave arrepio erriça2 a verde coma3 da floresta.
O cristão contempla o ocaso do sol. A sombra, que desce dos montes e cobre o vale, penetra sua alma. Lembra-se do lugar onde nasceu, dos entes queridos que ali deixou. Sabe ele se tornará a vê-los algum dia?
Em torno carpe4 a natureza o dia que expira. Soluça a onda trépida5 e lacrimosa; geme a brisa na folhagem [...].
Iracema parou em face do jovem guerreiro:
— É a presença de Iracema que perturba a serenidade no rosto do estrangeiro?
Martim pousou brandos olhos na face da virgem:
— Não, filha de Araquém; tua presença alegra como a luz da manhã. Foi a lembrança da pátria que trouxe a saudade ao coração presago6 .
— Uma noiva te espera?
O forasteiro desviou os olhos. Iracema dobrou a cabeça sobre a espádua como a tenra7 palma da carnaúba, quando a chuva peneira8 na várzea.
— Ela não é mais doce do que Iracema, a virgem dos lábios de mel, nem mais formosa! murmurou o estrangeiro.
— A flor da mata é formosa quando tem rama que a abrigue e tronco onde se enlace. Iracema não vive n’alma de um guerreiro: nunca sentiu a frescura do seu sorriso.
Emudeceram ambos, com os olhos no chão, escutando a palpitação dos seios que batiam opressos.
(Iracema, 2006.)
1 aracati: brisa do vento.
2 erriçar: arrepiar.
3 coma: copa de árvores frondosas.
4 carpir: lamentar.
5 trépido: trêmulo.
6 presago: que adivinha.
7 tenro: delicado.
8 peneirar: chuviscar.
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Gabarito: Alternativa E.

