Questão de PortuguêsCrase
- Banca:
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão:
- Polícia Federal
- Ano:
- 2025
- Modalidade:
- Certo ou Errado
- Código:
- Q3469127
Texto associado
Imaginar é um dom comum a todos os seres humanos — e
também uma daquelas características que nos diferenciam dos
outros animais, incapazes de atingir esse nível de abstração.
Apesar disso, a criatividade parece a muitos de nós algo
inacessível, difícil de cultivar, restrita apenas àqueles que já
nasceram com aptidões artísticas ou inventivas.
Isso não é verdade. Nas últimas décadas, a psicologia e a
neurociência começaram a desvendar o processo de surgimento de
ideias originais no nosso cérebro — e descobriram estratégias que
qualquer um pode adotar para aperfeiçoar a própria capacidade
criativa, mesmo que você se considere desprovido desse traquejo.
O que se pode chamar de estudo científico da criatividade
começou só na década de 1950, quando o psicólogo americano
J. P. Guilford publicou as bases desse campo de pesquisa. Ele se
interessou em responder uma pergunta essencial: de onde vêm as
ideias criativas?
Para isso, Guilford propôs que o raciocínio humano se
divide em dois tipos: o convergente e o divergente. Ambos podem
ser usados para resolver problemas ou chegar a conclusões após
uma análise, mas funcionam de maneira bem diferentes.
O pensamento convergente é aquele que busca uma única
solução para um impasse específico. Ele segue uma ordem
estruturada, avançando e refinando uma mesma ideia em vez de
experimentar várias resoluções diferentes. Pense, por exemplo,
numa questão de uma prova de matemática. Pode até haver várias
maneiras de se chegar ao resultado, mas o mais fácil (e comum) é
escolher um único método e seguir com ele até o final.
Já o pensamento divergente é mais fluido e caótico: ele
explora diversas ideias diferentes ao mesmo tempo, muitas vezes
misturando as soluções e conectando-as de maneiras pouco
óbvias. É o raciocínio típico dos brainstormings, por exemplo.
Segundo Guilford, a criatividade é um produto direto da nossa
capacidade de pensar de forma divergente. Ao fazer conexões
entre coisas aparentemente desconexas, criamos ideias inéditas.
Até hoje, essa explicação é a mais aceita pelos cientistas.
Bruno Carbinatto. Penso, logo crio. In: Revista Superinteressante, jan./2025.
Internet: (com adaptações).
Em relação às ideias veiculadas no texto precedente, bem como a
seus aspectos linguísticos, julgue o seguinte item.
É opcional o emprego do acento indicativo de crase no
vocábulo “àqueles” (último período do primeiro parágrafo).

