Questão de PortuguêsFunções das palavras QUE, SE e Porquês
- Banca:
- Instituto Consulplan
- Órgão:
- Câmara de Domingos Martins - ES
- Ano:
- 2026
- Cargo:
- Técnico de Gestão Pública II - Agente Legislativo e de Cerimonial
- Nível:
- Médio
- Modalidade:
Cidades inteligentes: tecnologia para o cotidiano das pessoas
Quando pensamos em “cidades inteligentes”, a imagem que costuma vir à cabeça é a de drones sobrevoando avenidas, sensores por todos os lados e grandes centros de controle repletos de telas. Essa visão existe, mas diz pouco sobre o que realmente faz diferença no dia a dia de quem vive nas cidades brasileiras. Para a maior parte da população, uma cidade inteligente é aquela em que o ônibus chega na hora, a luz não falta, as enchentes diminuem, a unidade de saúde atende com previsibilidade, a rua é segura e os serviços públicos são simples de usar, inclusive pelo celular. A tecnologia é, portanto, um meio para alcançar esse resultado e não um fim em si mesma.
O Brasil é um dos países mais urbanos do mundo e, ao mesmo tempo, um dos mais conectados digitalmente. A maioria da população vive em cidades e utiliza diariamente smartphones, redes sociais e meios de pagamento digitais. Em paralelo, muitos municípios ainda lidam com desafios históricos em áreas como saneamento, mobilidade, energia, habitação e adaptação climática. Esse contraste não é um obstáculo à inovação; ele é justamente o ponto de partida para que a tecnologia seja aplicada onde gera maior impacto social.
Nesse cenário, uma cidade fica mais inteligente quando conhece melhor o seu território, entende onde estão as áreas mais vulneráveis, antecipa riscos, identifica padrões e direciona os recursos públicos de forma mais precisa. Ela ganha eficiência quando encurta o caminho entre o problema e a solução: da reclamação sobre um buraco na rua à sua correção, de um pico de demanda no pronto atendimento à reorganização das equipes, de uma mudança de padrão de consumo de energia à redistribuição preventiva de cargas.
Dados, nesse cenário, tornam-se infraestrutura tão importante quanto as redes físicas. As cidades já produzem um grande volume de informações. O passo seguinte é integrar essas bases, garantir qualidade, segurança e governança dos dados, e criar rotinas para que eles não fiquem restritos a relatórios, mas alimentem decisões cotidianas.
Outro pilar fundamental é a inclusão digital. Não existe cidade verdadeiramente inteligente se uma parte da população fica de fora da transformação. Quando um serviço público migra para o digital, é preciso assegurar que ele seja acessível a todos, independentemente da renda, da escolaridade ou do bairro em que a pessoa mora. Isso passa por conectividade em escolas, unidades de saúde, centros comunitários e outros equipamentos públicos, por interfaces simples e linguagem clara nos aplicativos e portais, por ações de letramento digital e, ao mesmo tempo, pela manutenção de canais presenciais para quem ainda precisa deles. Inclusão digital, nesse sentido, é ao mesmo tempo uma política de equidade e de eficiência.
Mas nada disso se constrói de um dia para o outro. Em um país marcado pela diversidade e por desigualdades, o critério central para qualquer iniciativa de cidade inteligente deveria ser simples: essa tecnologia contribui para melhorar a vida de quem mais depende dos serviços públicos? Quando a resposta é positiva, vemos a inovação acelerar o acesso a benefícios, dar visibilidade a territórios antes pouco vistos, ampliar a transparência, fortalecer a participação social e aproximar cidadão e governo.
O futuro urbano brasileiro não será definido pelo número de dispositivos conectados, mas pela capacidade de usar a tecnologia para resolver problemas concretos com foco nas pessoas. Cidades inteligentes, no nosso contexto, são aquelas que conhecem profundamente sua realidade, planejam com base em evidências, atuam de forma integrada e garantem que a transformação digital seja também um instrumento de cidadania, inclusão e desenvolvimento sustentável. Esse é o caminho para construir cidades mais resilientes, eficientes e humanas, e o Brasil reúne condições tecnológicas e capital humano para avançar com rapidez nessa direção.
(Disponível em: https://www.em.com.br/opiniao/. Acesso em: maio de 2026. Adaptado.)
Analise os termos destacados no seguinte contexto: “[...] são aquelas que conhecem profundamente sua realidade, [...] garantem que a transformação digital seja também um instrumento de cidadania, [...]” (7º§). Sobre as funções da palavra “que” e a classificação das orações por ela introduzidas, assinale a afirmativa correta.
Gabarito: Alternativa E.
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