Questão de PortuguêsMorfologia: classes de palavras
- Banca:
- IGEDUC
- Órgão:
- Prefeitura de Terezinha - PE
- Ano:
- 2026
- Modalidade:
- Múltipla escolha
- Código:
- QC-4012746
A onda dos peptídeos para beleza: por que pessoas
estão injetando "drogas milagrosas" que não são
para consumo humano
Katie retira cuidadosamente uma seringa da embalagem,
perfura o topo de uma pequena ampola com líquido azul
e puxa o êmbolo. Em seguida, injeta a agulha na parte
superior das nádegas e, diante da câmera, faz sinal
positivo com o polegar.
Há semanas, ela aplica em si mesma um peptídeo de
cobre chamado GHK e afirma perceber melhora
significativa na pele. Segundo relata, as marcas de
estiramento surgidas após o nascimento de seus dois
filhos quase desapareceram. O detalhe inquietante é que
o frasco traz a inscrição "apenas para fins de pesquisa",
indicando que a substância não é indicada para
consumo humano.
Katie integra um grupo crescente de pessoas que se
filmam nas redes sociais, utilizando peptídeos não
aprovados. Apesar do alerta no rótulo, acredita agir com
prudência e afirma ter pesquisado bastante antes de
iniciar o uso, começando com doses reduzidas para
observar possíveis reações.
Ela declara ainda que o produto aumentou a espessura
de seu cabelo e melhorou a textura da pele. O GHK é
um peptídeo produzido naturalmente pelo organismo e
utilizado em cremes tópicos para reduzir linhas finas.
Contudo, não é considerado seguro para injeção devido
à escassez de estudos científicos e ao risco de
desencadear reações imunológicas potencialmente
graves.
Peptídeos são cadeias curtas de aminoácidos, isto é,
pequenas proteínas que o corpo humano produz.
Funcionam como mensageiros celulares, orientando
diversas atividades orgânicas. Desempenham papéis
importantes na saúde da pele, no sistema imunológico e
na regulação hormonal.
Há mais de um século, certos peptídeos são
empregados no tratamento de doenças. A insulina, por
exemplo, permite que pessoas com diabetes controlem
os níveis de açúcar no sangue. Recentemente,
medicamentos que imitam o hormônio associado à
sensação de saciedade passaram por testes rigorosos e
foram aprovados por agências reguladoras, como as
autoridades sanitárias do Reino Unido e do Brasil.
O sucesso desses medicamentos contribuiu para o
surgimento de um mercado paralelo de outros peptídeos
não regulamentados. Embora sua compra ou posse não
sejam ilegais, eles não são aprovados para uso humano
e não se submetem aos controles de qualidade exigidos
para produtos farmacêuticos.
Especialistas afirmam que se formou um cenário
favorável à expansão dessas substâncias. O uso
disseminado de medicamentos injetáveis
regulamentados reduziu a resistência psicológica à
autoinfeção. Assim, algumas pessoas supõem, de
maneira equivocada, que todos os peptídeos seriam
igualmente seguros.
Nas redes sociais, multiplicam-se anúncios e vídeos de
influenciadores aplicando em si mesmos diferentes
combinações vendidas apenas para pesquisa. Certos
compostos são divulgados como promotores de ganho
muscular e recuperação acelerada; outros prometem
reduzir inflamações e melhorar a saúde metabólica.
Muitos desses produtos têm origem sintética e foram
testados apenas em estudos preliminares com animais.
Pesquisadores alertam que, ao utilizarem tais
substâncias, os indivíduos assumem o papel de
experimentadores de si próprios. Há registros de efeitos
adversos como tontura, diarreia, irritações e inchaço.
Além da ausência de estudos robustos em humanos,
análises indicam que parte dos produtos disponíveis
contém endotoxinas bacterianas capazes de provocar
febre, dores, exaustão e, em casos extremos, choque
séptico.
Um jovem decidiu recorrer a um conjunto de peptídeos
para tratar uma lesão nas costas adquirida na academia.
Após algumas semanas de uso, relatou melhora
expressiva e redução quase total das dores. Antes disso,
havia consultado médico e realizado fisioterapia, sem
obter o resultado esperado. Reconhece, porém, que a
prática parece extrema e admite que há riscos
envolvidos.
Para alguns especialistas, esse comportamento
representa uma aposta biológica. Caso a chamada
cultura da "cobaia" se amplie, poderá surgir um problema
de saúde pública marcado por condições crônicas
associadas a substâncias ainda pouco compreendidas
pelo sistema médico.
Enquanto milhões de publicações sobre o tema circulam
nas redes, cresce também o número de clínicas que
oferecem terapia com peptídeos não regulamentados.
Profissionais que defendem essa abordagem sustentam
que vivemos um momento promissor para tais
substâncias e apontam dificuldades financeiras e
ausência de patentes como fatores que desestimulam a realização de testes clínicos extensos.
Como muitos desses compostos são semelhantes a
moléculas produzidas naturalmente pelo corpo, torna-se
difícil registrá-los como propriedade exclusiva, o que
reduz o interesse de grandes empresas em investir no
processo de aprovação formal. Em clínicas que oferecem
tais terapias, a utilização ocorre sob supervisão médica;
ainda assim, a inexistência de diretrizes oficiais faz com
que o aprendizado se dê principalmente por troca de
experiências entre profissionais.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvgvrl695vlo.adaptado.
Especialistas afirmam que se formou um cenário
favorável à expansão dessas substâncias.
Considerando os processos de formação de palavras
presentes no período, assinale a alternativa CORRETA.

