A execução penal não fica concentrada em uma única autoridade. O art. 61 da Lei de Execução Penal distribui funções entre oito órgãos: formulação de política, decisão judicial, fiscalização, assistência, administração penitenciária e controle comunitário.
Para a prova da Polícia Penal de Pernambuco, não basta decorar a lista. As bancas trocam competências, composição e requisitos. Uma questão recente da FGV cobrou três detalhes literais: os cursos aceitos para diretor de estabelecimento, a exceção de pessoal técnico especializado em unidade feminina e a possibilidade de Patronato público ou particular.
Os oito órgãos do art. 61
1. Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária
2. Juízo da Execução
3. Ministério Público
4. Conselho Penitenciário
5. Departamentos Penitenciários
6. Patronato
7. Conselho da Comunidade
8. Defensoria Pública
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Mapa de funções: quem faz o quê?
| Órgão | Núcleo da atuação | Pegadinha recorrente |
|---|---|---|
| CNPCP | Diretrizes nacionais, pesquisa, formação, arquitetura e inspeção | Confundir com órgão julgador |
| Juízo da Execução | Decide incidentes, benefícios, progressão e medidas judiciais | Atribuir ao diretor a saída temporária |
| Ministério Público | Fiscaliza a pena e a medida de segurança; atua no processo e incidentes | Reduzir sua atuação à acusação |
| Conselho Penitenciário | Órgão consultivo e fiscalizador | Confundir com Conselho da Comunidade |
| Departamentos | Execução da política e coordenação administrativa penitenciária | Tratar como órgão judicial |
| Patronato | Assistência a albergados e egressos; fiscalização de penas e condições | Dizer que só pode ser público |
| Conselho da Comunidade | Visitas, entrevistas, relatórios e mobilização de recursos | Trocar visita mensal por anual |
| Defensoria Pública | Defesa dos necessitados e controle da execução individual e coletiva | Esquecer que foi incluída no art. 61 |
CNPCP: política criminal e penitenciária
O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária tem sede na Capital da República e é subordinado ao Ministério da Justiça. A LEP prevê 13 membros, mandato de dois anos e renovação de um terço a cada ano.
Entre suas atribuições estão propor diretrizes de política criminal, estimular pesquisa criminológica, elaborar programa nacional de formação do servidor, estabelecer regras de arquitetura dos estabelecimentos e inspecionar unidades. Ele pode representar para instauração de procedimento e para interdição de estabelecimento, mas não substitui o juiz.
Juízo da Execução: decisões e controle judicial
Compete ao juiz indicado pela lei local de organização judiciária e, na ausência, ao juiz da sentença. O art. 66 reúne uma lista extensa: aplicar lei posterior benéfica, declarar extinta a punibilidade, decidir progressão, regressão, remição, detração, livramento condicional e incidentes, além de autorizar saídas temporárias.
O juiz inspeciona mensalmente os estabelecimentos, pode interditá-los e emite anualmente o atestado de pena a cumprir. Na série PPPE, essa competência ajuda a separar a saída temporária, judicial, da permissão de saída, administrativa.
Ministério Público e Defensoria Pública
O Ministério Público fiscaliza a execução da pena e da medida de segurança, oficia no processo executivo e nos incidentes, requer providências e visita mensalmente os estabelecimentos penais, registrando sua presença.
A Defensoria Pública vela pela regular execução para a defesa dos necessitados, em todos os graus, individual e coletivamente. Pode requerer providências, benefícios, incidentes, interdição e apuração de responsabilidade, além de interpor recursos. Seu órgão visita periodicamente os estabelecimentos.
Frequência de visita
O juiz inspeciona mensalmente; o Ministério Público visita mensalmente; o Conselho da Comunidade visita pelo menos mensalmente; a Defensoria visita periodicamente. A troca desses advérbios é uma pegadinha clássica.
Conselho Penitenciário x Conselho da Comunidade
O Conselho Penitenciário é órgão consultivo e fiscalizador da execução. Seus membros são nomeados pelo governador, e o mandato dura quatro anos. Ele emite pareceres nas hipóteses legais, inspeciona estabelecimentos e apresenta relatório anual ao CNPCP.
O Conselho da Comunidade existe em cada comarca. Sua composição mínima inclui representante de associação comercial ou industrial, advogado indicado pela OAB, defensor público e assistente social. Deve visitar estabelecimentos pelo menos mensalmente, entrevistar presos, enviar relatórios mensais e buscar recursos para melhor assistência.
Departamentos Penitenciários
O Departamento Penitenciário Nacional executa a política penitenciária nacional e presta apoio administrativo e financeiro ao CNPCP. Acompanha a aplicação da LEP, inspeciona, presta assistência técnica às unidades federativas e coordena os estabelecimentos federais.
O Departamento Penitenciário local, ou órgão similar, supervisiona e coordena os estabelecimentos penais da unidade federativa, conforme a estrutura criada pela legislação local.
Diretor e pessoal: três detalhes que a FGV cobrou
O art. 75 não admite diploma de qualquer curso. O diretor deve ter nível superior em Direito, Psicologia, Ciências Sociais, Pedagogia ou Serviços Sociais, possuir experiência administrativa na área, idoneidade moral e aptidão reconhecida. Deve residir no estabelecimento ou nas proximidades e dedicar tempo integral à função.
Em estabelecimento para mulheres, a regra é trabalho de pessoal feminino, mas há exceção para pessoal técnico especializado. Logo, a afirmação de exclusividade absoluta está errada.
O Patronato pode ser público ou particular. Ele assiste albergados e egressos, orienta condenados a penas restritivas, fiscaliza prestação de serviços e limitação de fim de semana e colabora na fiscalização da suspensão e do livramento condicional.
Questão real da FGV
Questão aplicada em 2025 no concurso da Defensoria Pública de Pernambuco e selecionada no banco CFP:
No que tange aos órgãos da Execução Penal estabelecidos pela LEP e suas respectivas atribuições e composições, avalie as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.
I. O ocupante de cargo de diretor de estabelecimento deverá ter experiência administrativa na área e ser portador de diploma de qualquer curso superior.
II. No estabelecimento para mulheres somente se permitirá o trabalho de pessoal do sexo feminino, independentemente de se tratar de pessoal técnico especializado.
III. O Patronato sempre deve ser público, considerando que tem a atribuição de colaborar na fiscalização do cumprimento das condições da suspensão e do livramento condicional, atividade fim do Estado, da qual não cabe qualquer delegação.
As afirmativas são, respectivamente,
- F – F – V.
- V – F – F.
- F – V – F.
- V – V – F.
- F – F – F.
Ver gabarito comentado
Gabarito: E — F, F, F. A afirmativa I erra ao admitir qualquer curso; a II ignora a exceção do pessoal técnico especializado; e a III erra porque o Patronato pode ser público ou particular.
Série PPPE: estudo tópico por tópico
O Juízo da Execução aparece diretamente na matéria anterior sobre permissão de saída x saída temporária. Para revisar a atuação administrativa dentro da unidade, volte também às sanções disciplinares e limites de competência.
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CONHECER O SUPER COMBO PPPEPerguntas frequentes
Quantos órgãos da execução penal existem no art. 61?
Oito, incluindo a Defensoria Pública.
Patronato precisa ser público?
Não. A LEP prevê Patronato público ou particular.
Qualquer curso superior habilita o diretor?
Não. O art. 75 traz uma lista específica de cinco áreas.
Homem pode trabalhar em estabelecimento feminino?
A regra é pessoal feminino, ressalvada a hipótese de pessoal técnico especializado.
Fontes oficiais consultadas
- Lei nº 7.210/1984 — arts. 61 a 81-B, texto compilado;
- FGV Conhecimento — página oficial do concurso da DPE-PE e cadernos de prova;
- Edital de Concurso Público nº 001/2021 — SERES/PE.
Conteúdo revisado em 3 de agosto de 2026 com base nas fontes oficiais acima.





